Sim, e…: quando dizer sim é dizer não

Esse texto faz parte de uma série de postagens sobre um dos princípios fundamentais da improvisação e uma das habilidades que ajudamos as pessoas e grupos a desenvolverem. Para que a leitura seja mais clara e compreensível, sugerimos que você leia antes sobre:

A essência do “sim, e…”

Em muitos de nossos trabalhos, quando temos o desafio de fomentar um ambiente mais colaborativo e favorável à inovação, geralmente lançamos mão da lógica do “sim,e…” para estimular a cocriação e o pensamento divergente. Nesses momentos é comum nos depararmos com jogadores que até dizem “sim” à ideia do outro, mas que na verdade estão dizendo “não”. Como? Explico a partir do exemplo abaixo:

A – “Vamos roubar aquele carro!” 

B – “Sim, e vamos comprar uma moto”

Embora o jogador B tenha, aparentemente, cumprido a regra do jogo (que é dizer sim à ideia do companheiro de jogo), na verdade ele está bloqueando a oferta de A mesmo sem dizer “não”, pois ele não contribui para que ela evolua, ao contrário, abre uma segunda possibilidade com sua própria ideia. A coconstrução, nesse caso, fica empobrecida, pois surge praticamente a partir de dois monólogos ao invés de um diálogo, e mantém cada pessoa presa ao seu universo de repertórios, sem favorecer a interação de dois “mapas” mentais diferentes, condição fundamental para a Inovação em meu ponto de vista.

Em ambientes organizacionais, esse comportamento é ainda mais sutil e difícil de ser percebido. Frequentemente impedimos que uma ideia avance acrescentando outra sem nem ao menos considerar a oferta lançada. Embora aparentemente simples, o princípio do “sim, e…” pode facilmente ser mal compreendido e exercitado de forma incorreta, como no exemplo acima. O desafio é criar algo inspirado na oferta anterior e não simplesmente dar uma segunda ideia, pois o objetivo desse princípio é favorecer a criação coletiva de forma não controlada, como se duas pessoas construíssem uma mesma trilha sem combinação prévia.

Se você quer praticar o “sim, e…” na sua rotina, mais do que dizer “sim”, procure usar o que lhe é ofertado, seja pelo ambiente ou pelas pessoas com quem você convive, e construa a partir disso. Evite partir de ideias fechadas e preconcebidas por você mesmo. Se você conseguir fazer isso, estará estimulando a criatividade e o vínculo com as pessoas ao seu redor, pois elas se sentem mais respeitadas e encorajadas a dar ideias quando conversam com quem dá espaço para um verdadeiro diálogo. Ninguém gosta de falar com quem não está aberto e não é flexível. Experimente!

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